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terça-feira, 27 de março de 2012

Berberes e Tuaregues - A Exposição


Berberes e Tuaregues
 São nómadas que se refugiam em oásis verdes de mil e uma noite de encantos, lugares inóspitos, ainda por descobrir onde antigos sistemas de rega fazem brotar das areias quentes as suas fontes de Vida.
 Homens livres que deambulam sobre horizontes de pó de ouro, como sentinelas de uma terra de ninguém, mas que toda a gente quer descobrir, que alegremente contam lendas de paixão deste deserto rubro de amanheceres suaves.
 Pessoas que conduzem ao sabor dos ventos, dromedários ávidos por um retorno a casa que os livre temporariamente da escravidão turística que os invade diariamente, à espera de bebedouros e forragem que lhes darão a energia necessária para um vai e vem de viagens pelo seu território.
 Gentes que nas selvas urbanas, veem uma saída para uma vida parca de objectivos à espera de um final feliz. Vendedores de sonhos que caminham por calçadas rubras, sob um intenso calor de Inverno. Veladas de uma sociedade por vezes cruel, à procura de uma prece, pois parecem que foram Abandonadas pelos Deuses.
 Duas palavras, dois significados para diversos rostos.
 Berbere quer dizer Tuaregue, embora o seu significado seja diferente, já que o primeiro, Berbere quer dizer Homem Livre e o segundo Tuaregue significa Abandonado por Deus.
 Estas são as expressões obliteradas pela minha máquina, expressões de gentes no seu trabalho diário, muitas vezes um trabalho duro, para que se possa colocar um bocado de pão na mesa para a família, noutras expressões de contemplação, noutras ainda o esforço da dureza do habitat natural onde se movem. Faces cobertas e faces a descoberto, simplesmente retratos de Vidas de nómadas.
 Um outro Marrocos revisitado.
 Luís Reina

(Texto da exposição Berberes e Tuaregues, para o Museu D. Diogo de Sousa/ Texto de acordo com a antiga ortografia)





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